RPG e Pilates: eficientes técnicas para correção postural

mulher fazendo pilates
Foto: Corbis

Se somadas a isso questões como sedentarismo, estresse e até mesmo disfunções no processo de crescimento na pré-adolescência, a ideia de andar com apenas dois apoios tem seus lados negativos. Mas nada que cuidados essenciais e tratamentos como a Reeducação Postural Global (RPG) e o Pilates não possam resolver.

Um dia, há quase quatro milhões de anos – conforme pesquisa recente da Universidade de Liverpool – o homem passou a ser bípede e começou a andar ereto. Ao invés de quatro apoios no solo, preferiu ter dois (os pés) enquanto as mãos foram alçadas e ficaram livres. Ponto para o desenvolvimento do cérebro, influenciado pela capacidade de manipular alimentos e objetos, culminando na produção das próprias ferramentas de subsistência. Em suma, andar em pé ajudou o homem a se tornar inteligente e habilidoso na trajetória evolutiva.

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Mas quem disse que tudo isso seria fácil? Em 2013, em plena Era Pós-Moderna, não são poucos os indivíduos herdeiros dos bípedes de milhões de anos atrás a procurarem clínicas de Fisioterapia e estúdios para consertarem erros posturais. Isso porque desde que aprenderam a se locomover em pé, os seres humanos passaram a sobrecarregar estruturas musculares e esqueléticas na tentativa de vencer a lei da gravidade.

RPG

Quem explica o método é a fisioterapeuta Camila Campos, adepta do tratamento francês para tratar desarmonias do corpo humano. “Na verdade esta é uma técnica revolucionária que considera os sistemas muscular, sensitivo e esquelético como um todo, mas levando em conta as necessidades individuais de cada paciente”, comentou.

O tratamento, que chegou ao Brasil nos anos 80 e se popularizou nas décadas seguintes, é baseado na correção postural via exercícios com o auxílio do fisioterapeuta, tratando lesões e desvios que podem causar dor. “Durante a sessão empregamos microajustes em alongamento numa série de posturas de pé, sentado ou deitado. O RPG requer do paciente uma participação ativa, pois ao longo da sessão, trabalha o corpo, alongando e fortalecendo a musculatura”, explicou Camila. Mas se engana quem pensa que o trabalho é apenas corretivo.

“Nem só pacientes com problemas diagnosticados recorrem ao método. Qualquer pessoa que queira buscar a harmonia corporal pode aderir ao RPG. Ele também funciona como prevenção”, disse.

No entanto, segundo a fisioterapeuta, a maioria dos interessados que buscam a reeducação chega à clínica indicada por médicos e buscando a cura para disfunções na coluna, lombalgias e até hérnias de disco. Em 90% desses casos, de acordo com a fisioterapeuta, os resultados aparecem já na 10ª sessão. “Normalmente fazemos uma por semana, podendo aumentar dependendo do caso. Cada uma tem duração entre 45 minutos e uma hora por períodos de três a seis meses”, completou Camila.

A profissional também lembrou que não há limites de idade para a prática e que a única contraindicação do RPG é para pessoas com alterações cognitivas como Mal de Alzheimer. “Isso porque o paciente, infelizmente, não vai poder cooperar com o fisioterapeuta na sessão”, comentou a profissional, que também deixou dicas de ouro para quem quer evitar problemas de postura. “Não fique muito tempo em uma mesma posição, já que isso sobrecarrega a coluna. Sempre que possível, alongue-se. Também vale lembrar que colchão e travesseiros devem ser adequados e a melhor maneira de se deitar é de lado, com o travesseiro entre as pernas”.

Pilates

Quem nunca ouviu falar na modalidade, mesmo que em uma cena de novela das 21h, que atire o primeiro controle remoto. Em franca ascensão há mais de 20 anos, o Pilates é uma atividade que explodiu nos anos 90 e que bem poderia ser um vício passageiro para a chamada “geração saúde”, mas se firmou entre público variado, incluindo atletas buscando reabilitação, dançarinos visando aperfeiçoamento corporal e pessoas comuns adotando-o como atividade oposta ao marasmo físico.

A técnica foi criada pelo alemão Joseph Pilates durante a I Guerra Mundial e é baseada na realização de exercícios com ou sem aparelhos abrangendo força, alongamento, concentração e consciência corporal. “São milhares de exercícios disponíveis, podendo ser adaptados às necessidades de cada pessoa. Por isso mesmo é acessível a todas as idades. Quem não gosta de praticar exercícios de alto impacto encontrará no Pilates uma atividade mais agradável. Os resultados aparecem com rapidez”, comentou a fisioterapeuta e instrutora da modalidade, Erika Gomes.

Segundo ela, a potencialidade da prática está na consciência do próprio corpo. “Durante a prática você presta mais atenção nele e em como se move. É esta combinação de bem estar físico e mente que faz do Pilates um método tão único e poderoso”, argumentou.

Assim, o Pilates e o RPG acabam se encontrando em um ponto comum: a estabilidade postural. Porém, o primeiro também está ligado ao fitness. “Há o fortalecimento e o alongamento da musculatura tendo sempre o ‘centro de força’ (abdômen, parte inferior das costas e glúteos) como foco principal. Ou seja, ele é trabalhado sempre, independente de qual exercício esteja sendo executado. Assim o tronco permanece estabilizado colaborando para o alongamento da coluna vertebral descomprimindo os discos vertebrais e aumentado a mobilidade da coluna”, frisou Erika, fazendo uma ressalva importante: “O Pilates não é um exercício aeróbico e a queima de calorias não é seu principal objetivo. Entretanto, ele define e tonifica a musculatura de todo o corpo. Combiná-lo com uma atividade aeróbica é uma ótima pedida para um programa de perda de peso e redução de medidas”.

Recomendado para adolescentes em fase de crescimento, gestantes, idosos e indivíduos em reabilitação, o Pilates só não é indicado para crianças por uma questão de concentração. “Durante a execução dos exercícios, elas facilmente perdem a atração inicial, entediam-se e finalmente procuram apenas ‘brincar’ durante os exercícios, o que prejudica os resultados”, finalizou Erika, lembrando que para a aula fluir o ideal é que cada sessão conte, no máximo, com três alunos.

Fonte: Portal Educação Física

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